Zé fica convencido de que um primo é muito pior
e mais funesto do que um limão de cheiro.
- Zé entra na sala de jantar. Uma gargalhada geral o recebe. Porém, criando ânimo e com um sorriso meio amarelo, resolve-se afinal a sentar-se à mesa.
- Ao seu lado está a sua “ela”. Pela mais gentil e extremada galanteria, ele procura fazer esquecer a bizarria da sua toalete, e de tudo oferece a sua “ela”, que recusa muito secamente.
– Zé nota que ela presta a um primo, que está do outro lado, interessada atenção.
– Estes primos!
No entanto pensa consigo: ela me disse, outro dia, que o achava tolo e não podia suportá-lo.
– Oh! as mulheres!
Zé começa a encavacar seriamente com o colóquio entre os primos, que de vez em quando abafam gargalhadinhas de mofa.
– Falam de mim com certeza... mas é preciso disfarçar e mostrar que não dou cavaco. Vou oferecer qualquer coisa.

E pegando nuns “croquetes” de camarão... Por fatalidade a manga do paletó, demasiado larga, foi de encontro a uma garrafa de Bordeaux que tombou
e quebrou-se, inundando a toalha e salpicando de vinho o vestido da sua amada! Zé, não podendo reprimir um movimento de espanto, bate com o braço numa compoteira de doce de calda, que esparrama-se todo sobre o vestido da senhora baronesa! “Tableau!”
Zé, compreendendo que não havia desculpa possível, tratou de se pôr ao fresco e embarafustou pela porta, esbarrando com um criado que trazia o peru!
Peru e Zé rolaram pela escada abaixo.
Uma vez na rua, Zé correu para apanhar um bonde. Um urbano, que tomara as nódoas de vinho por manchas de sangue, seguiu-o apitando.
Zé não tardou a ser preso. Debalde protesta que não cometeu assassinato algum. Zé é levado para o xadrez.
A estação, este declara-lhe, sorrindo, que reconhece perfeitamente que Zé não é nenhum criminoso, mas simplesmente um bêbado.
– Bêbado é ele, disse Zé para o oficial, e dando um valente pontapé na mesa,
pulou fora da estação e deitou a correr levando todos os urbanos atrás de si.
E Chegando à esquina de uma rua, topou com um zé-pereira que ia passando e tal era a velocidade da corrida, que furou um bombo.

















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