quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Zé Caipora - Capítulo 1

 

Zé é convidado a jantar em 
casa da baronesa de ...

– Vê lá! Se me faltar algum botão quebro-te a cabeça! 
– Não falta, não sinhô.
– Digam lá o que quiserem, mas um colarinho bem engomado e uma gravata bem posta é meio camin-ho andado na mais difícil conquista. Hoje, com cer-teza, ela declara-se!
– Estou esplêndido! Quem ousará resistir-me? Que tal me achas, João?
– Está bonito, sim sinhô.
Antes de sair, Zé ensaia, ao espelho, o melhor modo de entrar no salão da senhora baronesa e de cumprimentar as damas que lá estiverem, sobretudo a sua “ela”, para quem toda a elegância é pouca e que presentemente é representada por uma cadeira.
Depois de ter estudado várias posições elegantes.
Zé sai de casa muito satisfeito de sua vida e de seus colarinhos e mete-se num bonde de Botafogo.
João também sai e vai direitinho para a venda contar à criadagem da vizinhança tudo quanto seu amo fez.
Zé apeia do bonde e dirige-se para o palacete da baronesa, onde o seu coração e o seu estômago devem, nesse dia, palpitar de contentamento.
– Esse tipo está mesmo a pedir um limão, disse uma jovem...
E zás!...  
Nota do blog: Nesse momento se comemorava o carnaval!
– Ora po...co! 
– Atrrrevidas! Grrrrandísssimas...etc.!
A resposta à descompostura não se fez esperar.
Zé ficou num estado desgraçado! Vendo assim afogados a sua elegância e os seus castelos, correu a esconder-se no portão do palacete que estava perto, para ali esperar por um tílburi que o levasse para sua casa.
O barão, que presenciara a molhadela, desceu e instou para que Zé subisse.
– Mas nesse estado?
– Eu dou-lhe roupa para se mudar!
E quase arrastado Zé subiu. Por maior caiporismo, toda a família estava no patamar da escada! Zé pensou que subia ao patíbulo!
O barão levou-o para o seu quarto de vestir e deu-lhe a sua roupa. Zé estremeceu ao contemplá-la!
Depois de vestido, ele olha para o espelho e fica horrorizado!
– Quer seco, quer molhado, estou de uma elegância espantosa!
Zé amaldiçoa a sua sorte e julga-se o mais caipora dos mortais!
– Ter-me ensaiado 2 horas antes, a deitar elegância para ela, e ver-me agora nesta triste figura!
– Vamos jantar.
A palavra jantar fez o efeito de um pilha elétrica. 
– Pelo amor de Deus, não me obrigue a esse sacrifício...
–  Sacrifício?
–  Estou indecente...
–  Indecente? Com a minha roupa?
–  Não é isso; perdoe... é que...
– Ora, deixe-se de luxo e vamos comer.
Não podendo resistir, Zé é arrastado para a sala de jantar.

***

 Fim  do Capitulo 1 












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